A informação ao seu alcance!

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Entrevista Geraldo Alckmin (PSB) - Pré-candidato a vice-presidente da república


Pré-candidato a vice-presidente em uma aliança que tem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin (PSB) confirmou que o deputado federal Rafael Motta é o nome do PSB no Rio Grande do Norte para concorrer ao Senado.

“Nosso pré-candidato é o deputado federal Rafael Motta”, disse, nesta entrevista ao jornalista Valdir Julião. Mas, ele admitiu que até o encerramento do prazo para as convenções, no início de agosto, há tempo para articulação e diálogo. “Temos, ainda, alguns meses para essa questão ser discutida. Enfim, há uma aliança”, acrescentou. 

Ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin esteve em Natal, ao lado de Lula, na quinta-feira (16). Ele foi vaiado durante ato de apoio ao ex-presidente. O público era formado por petistas e militantes de partidos aliados como o PSB, PCdoB e PSOL.

Geraldo Alckmin foi vaiado quando teve o nome anunciado e também no momento em que discursou. Além do ex-governador, foram vaiados o deputado federal e candidato a vice-governador na aliança com o PT, Walter Alves (MDB), e o pai dele, o ex-senador Garibaldi Filho.

A governadora do Rio Grande do Norte e pré-candidata à reeleição, Fátima Bezerra (PT), tentou apaziguar os ânimos e defendeu um movimento mais amplo de alianças. O pré-candidato ao Senado na chapa é o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT).

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu as alianças feitas pelos petistas para a campanha deste ano nacional e nos estados: "Aqui pode até ter gente com quem divergimos, mas que é a favor da democracia e contra Bolsonaro."

Alckmin se filiou ao PSB em março deste ano para ser o pré-candidato a vice na chapa com Lula. Geraldo Alckmin deixou o PSDB em dezembro de 2021, após 30 anos no partido pelo qual foi vice-governador e governador de São Paulo e duas vezes candidato a presidente. Nas eleições de 2006, passou ao segundo turno da disputa presidencial e perdeu justamente para Lula. Na ocasião, fez duras críticas ao petista e citou as acusações de corrupção no Governo do PT. Em 2018, ficou em quarto lugar.

Veja, a seguir, a entrevista concedida por Geraldo Alckmin à Tribuna do Norte.

Qual é a posição do PSB em relação à disputa pelo Senado no Rio Grande do Norte?

Nosso pré-candidato é o deputado federal Rafael Motta (PSB). Mas temos, ainda, alguns meses para essa questão ser discutida. Enfim, há uma aliança. O importante é que há uma definição do PSB para presidente da República, com Lula; e para governo, com a governadora Fátima Bezerra (PT). Há uma pretensão do PSB em relação à senatória. Vamos aguardar. Tem tempo ainda. 

Mas o senhor acha que o Lula apoiaria uma candidatura do PSB no Estado?

O presidente Lula não vai se envolver numa questão local e regional.

Isso não faria parte do acordo nacional do PT e PSB para que venha a ser candidato a senador?

Não, não fazia parte.

O PSB considera irreversível a pré-candidatura de Rafael Motta a senador?

O partido apresenta candidatura, que é legítima, e depende do próprio deputado querer ser candidato ou não. Se quer ser candidato, Rafael Motta vai ser.

Como o senhor avalia as críticas de seus adversários, de se posicionar contra Lula e agora estar ao lado dele no mesmo palanque?

Nós estamos vivendo um ou outro momento na política do país. Primeiro, a defesa da democracia. A democracia no Brasil está em risco. Há um presidente que, tristemente, tem saudade da ditadura militar, saudade da tortura. Então, nós temos que defender a democracia. Paulo Freire dizia: “É preciso unir os divergentes para enfrentar os antagônicos”. Primeiro, isso é o mais importante. Eu entrei na vida pública ainda estudante de Medicina no velho MDB, quando só tinha Arena e MDB, para lutar pela democracia. A segunda é a questão econômica. O Brasil voltou para o “Mapa da Fome”, com 33 milhões de pessoas passando fome. E tem o desemprego entre os jovens. Então, é retomar a atividade econômica. Lula, quando foi presidente, no último ano dele, em 2010... A economia brasileira cresceu 7,5% sem inflação. O salário mínimo é vergonhoso. No tempo do presidente Fernando Henrique Cardoso, houve um aumento real do salário mínimo superior a 40%; no governo Lula, de 74%; hoje, tem perda real do salário mínimo, que está em R$ 1.212,00. E 70% dos aposentados e pensionistas do INSS ganham um salário. Como é que a pessoa vai viver, já mais idosa, às vezes não tem nem casa própria, com R$ 1.212,00? A terceira questão diz respeito às políticas públicas. Estamos andando com o governo Bolsonaro que nem caranguejo, para trás. Negar as vacinas? É inacreditável. Eu, que sou médico... Ter o negacionismo, tentar impedir as vacinas para crianças... O que erradicou o sarampo, as mamães sabem, foi a vacina. Três coisas mudaram o mundo: água de qualidade, vacina e antibiótico. As expectativas de vida da população dobraram. Na Educação, não tem projeto nenhum. As crianças ficaram sem estudar por quase dois anos. A outra necessidade é combater a fome. Hoje, em São Paulo capital, tem mais de 30 mil pessoas morando na rua. É um quadro triste. Então, é isso que faz a gente se unir e fazer uma grande frente democrática.

O senhor acha que há risco de golpe? O presidente critica a segurança das urnas eletrônicas e a postura do TSE...

Não é que o presidente não confia na urna eletrônica, ele não confia no voto do povo. Ele sabe que não tem merecimento para ter um novo mandato. Não tem merecimento para ter o segundo mandato. Então, a desconfiança dele não é da urna, é do voto.

O senhor acha que a reforma trabalhista deve ter mudanças na legislação?

Mudança sempre é possível fazer, aperfeiçoá-la é importante. 

Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário