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domingo, 23 de fevereiro de 2014

"O governo Rosalba acabou", dispara Nélter Queiroz

O polêmico deputado estadual Nélter Queiroz (PMDB) é o entrevistado da edição deste domingo no O Mossoroense. Nesta conversa, ele mais uma vez mostrou que não tem papas na língua: diz o que pensa e não poupa adversários. O alvo preferido é a governadora Rosalba Ciarlini, cujo governo para o peemedebista acabou. Nélter também revela bastidores das últimas duas eleições para o Governo e Senado, contando com riqueza de detalhes a estratégia usada por Carlos Augusto Rosado para derrotar Fernando Bezerra.
O Mossoroense: A Assembleia retomou os trabalhos essa semana e tem feito muitas críticas à governadora. Por que isso?
Nélter Queiroz: Isso é uma realidade. O governo Rosalba acabou. Os fatos mostram isso. Estamos fazendo as reflexões para que o Governo atenda a população pelo menos no básico, que é a segurança pública. Hoje (entrevista gravada na sexta-feira), o coordenador das penitenciárias, não sei bem o nome do cargos, que era Castelo Branco, entregou o cargo. O desmando é grande no Governo. A insegurança é insuportável. Os presos sendo transferidos sem a Justiça saber, sem a corregedoria da Justiça saber, sem às vezes a Secretaria de Justiça nem saber. São presos perigosos sendo transferidos. Isso não era para acontecer.
OM: Mas a governadora afirma que recuperou a credibilidade do Estado.
NQ: O que há é falta de atenção e credibilidade. Eu fui ao diretor do DER, doutor Demétrio, pedir a ele mais uma vez para cuidar das estradas que estão ficando praticamente instransitáveis. Daqui a pouco a gente vai ficar sem condições de transitar com os carros. Quer um exemplo? Essa RN-118, que liga a BR-304 que sai de Mossoró, que passa por Jucurutu, chegando a Caicó, está ficando sem condições. O diretor do DER respondeu: "não só essa, mas outras estradas". Não é só essa, mas estradas do Seridó e do Vale do Açu. Eu disse: "Demétrio, dá para você dar uma entrevista para o pessoal das rádios de Caicó?". Ele respondeu: "Em hipótese alguma". Eu disse: "Demétrio, você tem que dar uma satisfação à população". Perguntei o que eu deveria dizer, e ele disse: "diga que foi feita uma licitação. A primeira que ganhou não aceitou assinar o contrato. A segunda não aceitou assinar o contrato, e a terceira está sendo convidada para assinar o contrato e iniciar as obras porque a burocracia é grande". Não sei se essa empresa pode fazer a recuperação das estradas. A verdade é que as empresas não estão confiando num Governo que não paga, que não tem compromisso com os servidores. É esse o retrato: na segurança, os policiais estão procurando ajuda das prefeituras. Pedem alimentação e até combustível. Isso está acontecendo em Jucurutu, onde a prefeitura empresta um carro para se fazer algumas blitze.
OM: Lembro que na pré-campanha de 2010 e em 2011, quando o restante do PMDB aderiu ao Governo, o senhor se posicionou nas duas vezes contra uma aliança com Rosalba. Qual o sentimento do senhor diante desse quadro?
NQ: Olha, Bruno... eu fui contra a aliança com ela em 2010, porque votei nela para senadora em 2006 e em quatro anos como senadora ela não teve atenção nenhuma comigo e com os municípios que eu a ajudei lá. Também tem o fato de eu ter descoberto que é verdade que quando ela era prefeita quem mandava era o marido dela, Carlos Augusto, e no Senado também já era dessa forma. Em 2010, eu fiquei resistindo. Em 2011, quando ela assumiu o Governo, o PMDB convidou toda a bancada na Assembleia unida para apoiar o Governo. Eu tentei resistir. Disse que não aceitava em hipótese alguma. Mas atendi a um apelo do presidente Henrique, do ministro Garibaldi e dos meus colegas deputados para dar esse crédito. Eu engoli esse tempo, seis meses, um ano, apoiando todos os projetos que ela mandava para a Assembleia. Fiz em nome da união do PMDB. Aí no segundo ano já foi diferente. Eu não tenho responsabilidade. Acredito que se Garibaldi fez a parte dele a apoiando, cumpriu o seu compromisso com ela e com a maioria do povo que acreditou nela. Os membros do PMDB sentiram como povo e cidadão que esse é um Governo que decepcionou não só as pessoas importantes do nosso partido, como Garibaldi, que saiu do Governo de cabeça erguida. Ele teve uma decepção como cidadão e foi uma frustração dele e da maioria do povo. Rosalba enganou o povo com esse carisma falso, irônico para conquistar o voto na base da mentira e das promessas que desgastam os políticos. Sou conhecido como um político rude, grosseiro porque não me comprometo com coisas que eu não posso honrar. Eu prefiro ser visto dessa forma do que alguém amanhã dizer que eu dei a palavra e não cumpri. Eu sempre procuro honrar a minha palavra e as minhas posições. Aprendi isso com meu pai Nelson Queiroz. Se você não sabe, Bruno, você é tão jovem, mas eu estou de deputado já no sexto mandato.
OM: Sei, sim, deputado. Sua primeira eleição para deputado foi em 1990.
NQ: Exatamente. São 24 anos de mandato, mais 16 de meu pai. São 40 anos da minha família na Assembleia Legislativa sem ter nenhum processo de roubalheira nem de improbidade, nem de safadeza, conquistei meu mandato trabalhando diariamente. Até hoje não existe um político dessa forma. Se existir, eu não conheço, com 40 anos na cadeira e ampliando a votação na mesma região, o Seridó e Vale do Açu. Antigamente, a gente tinha no Seridó três cidades. Hoje temos 16 municípios nos apoiando. .
OM: Na sua opinião foi um erro o PMDB votar em Rosalba?
NQ: Era natural o PMDB votar nela. Apoiamos Rosalba para senadora em 2006. Na verdade, ela grudou em Garibaldi em 2006 e até no Senado da República para exatamente mostrar fidelidade a ele e ao PMDB. O projeto era ser eleita senadora e governadora e aconteceu exatamente de ela conseguir. Graças a Deus, Garibaldi e as pessoas que o seguiram acordaram e saíram. Aliás, o povo do Rio Grande do Norte acordou e está num consenso. O povo tem o direito de acertar e de errar. Garibaldi também é povo e se afastou dessa frustração até porque o povo pediu para ele se afastar.
OM: Como o senhor vê essa demora do PMDB em definir um candidato?
NQ: O PMDB é um partido forte não só em nosso Estado, mas no Brasil todo. Todo mundo quer apoio do PMDB. Se você lembrar a história do Rio Grande do Norte, e eu quero abrir um parêntese: a briga dos candidatos era de ter o governador do Estado no palanque nas eleições municipais. Verifique que toda vida foi assim. Foi assim em 1982, 88, 92 e em todas as eleições seguintes. A única eleição que as lideranças até do próprio partido não queria a governadora foi a de 2012. Ninguém queria ela. Isso foi muito interessante. No passado, era diferente. Queria fazer esse destaque.
OM: E o PMDB?
NQ: Sobre a questão da candidatura do PMDB, é preciso lembrar que o partido é muito forte e não pode, em hipótese alguma, errar. Nós temos candidatos para escolher na hora certa. Se você me perguntar por Fernando Bezerra, eu diria que é um grande político, um homem público que ajudou muito o estado do Rio Grande do Norte e a todos os municípios liberando recursos para construir obras importantes. Ele perdeu a eleição para Rosalba. Cá para nós, eu considero Fernando um homem que primeiro não tem a queda para político e quando ele está com uma pessoa, ele está mesmo. Eu conheci a vitória de Rosalba em 2006 porque eu estava com ela. A gente chegava a uma cidade, e ela ficava no palanque com Garibaldi, enquanto Carlos Augusto fazia a estratégia de procurar o outro lado, que era contra o sistema. Carlos Augusto ia atrás para ajudar, dar algumas ajudas para que aquela pessoa cruzasse os braços. Eu vi isso em duas cidades, particularmente, inclusive financeiramente. Ele dizia: "eu vou dar isso aqui para você cruzar os braços no dia da eleição, não peça voto para Fernando, deixa Rosalba ter os votos, vá embora para o sítio"... essa foi uma grande estratégia para Rosalba ganhar a eleição proque na hora que ela ganhasse o projeto estava consolidado. Não posso citar detalhes, mas estou contando fatos. Enquanto Fernando Bezerra apostou no trabalho como senador e pregava no discurso que era um homem sério, honesto e transparente. Ele queria continuar a ajudar os municípios. Mas houve um trabalho maquiavélico de conquistar o PMDB e fazer a estratégia de neutralizar as lideranças. Eram ajudas muitas vezes financeiras. Aí está o retrato: quem engana muito tempo o povo está aí o resultado. Ela enfrenta uma rejeição de mais 80%. O povo não quer saber de notícia desse Governo, ninguém acredita nela, que caminha para ficar inelegível, porque Rosalba usou a máquina sujando a política de Mossoró ao ponto de hoje estar afastada a prefeita de uma cidade importante com mais de dez processos. Ela prejudicou uma grande pessoa humana como Cláudia Regina. Rosalba sujou Cláudia Regina ao usar a estrutura do Governo, rasgando fotografia, pelo menos é o que se sabe pela imprensa. Rosalba vai voltar para Mossoró inelegível, com vários processos. Ela poderia hoje estar muito bem como uma grande governadora, se tivesse capacidade de honrar os compromissos com a população e com os partidos que a apoiaram. Agora está isolada. Só tem três deputados a apoiando. Sendo que um, Leonardo Nogueira, já botou a mulher no PMDB para poder escapar. Pelo que ele me diz, está afastado faz tempo porque não aceitou que Fafá renunciasse para Ruth assumir e ser a candidata.
OM: Como o senhor analisa essa consulta às bases feita pelo comando do PMDB?
NQ: Estamos fazendo uma aliança democrática que foi feita. Nunca tivemos uma aliança feita discutindo muito antes da convenção como o deputado Henrique está fazendo. Ele está ouvindo prefeitos, vereadores e a base de cada município para levar a Brasília uma resposta ao PT nacional, que quer que o PMDB se coligue com Fátima ao Senado. Mas praticamente todo o PMDB potiguar quer ficar com Wilma. Por outro lado o nome que a gente escuta que deveria ser candidato todos citaram Fernando Bezerra, Garibaldi, Walter Alves e Henrique. Todas as lideranças estão externando o ponto de vista. Henrique vai levar essa informação importante ao presidente Lula, que é o coordenador político do PT. As bases querem Wilma. Ela tem me dito que pretende ser candidata ao Senado, mas se as especulações que dizem que ela quer mesmo é ser candidata ao Governo, ela tem todo direito. Mas o que ela diz a mim particularmante, já que temos afinidade de muitos anos, é que ela quer ser candidata ao Senado.
OM: Henrique vai ser candidato a governador?
NQ: Olhe... em política tudo é possível. O nome que a gente está colocando é Fernando Bezerra. O nosso Estado é pobre, e nós precisamos de Henrique e Garibaldi em Brasília. Se a gente pudesse escolher, era Henrique presidente da Câmara e Garibaldi continuar no Ministério. O governador sendo Fernando Bezerra seria importante porque ele tem muitos amigos, inclusive Lula, e com a força de Henrique, ele traria recursos para tirar o Estado dessa situação. Agora é esperar os fatos novos e quem vai ser. Até porque Fátima Bezerra ainda sonha com o apoio do PMDB e ela é uma grande deputada e ajuda muito o Rio Grande do Norte. O problema é que antigamente Henrique e Garibaldi tinham a chapa no paletó e hoje não é mais assim. As coisas mudaram. Eles precisam ouvir as bases.
OM: O senhor estava repercutindo a notícia da contratação de uma consultoria de R$ 31 milhões. O senhor falou até em CPI.
NQ: Bruno, eu estava olhando os gastos do antigo Programa de Desenvolvimento Solidário. Era um programa do governo Wilma. Era dinheiro do Banco Mundial, senão me engano. Esse projeto foi aprovado, e o Governo maliciosamente colocou boa parte para consultoria aqui e acolá. Toda vez que tem consultoria com valores altos a gente fica desconfiado que tem safadeza, para não dizer roubalheira, e isso é preocupante. Eu vi essa semana no Portal No Ar, no blog do grande jornalista Aluísio Lacerda, que o Governo tem contratado consultorias. O que vou fazer como fiscal do nosso Estado? Vou pedir detalhes para, baseado no que chegue, a gente abrir uma CPI. Primeiro, a gente pede informações. A gente vai pedir ao Ministério Público para nos ajudar. É um valor muito alto. Precisamos saber que consultorias estão sendo contratadas, como estão sendo esses contratos. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte tem técnicos competentíssimos. A própria Uern também tem. Temos vários segmentos no Estado com custo baixo. Precisamos descobrir detalhes, e eu espero que esteja acontecendo o que estou imaginando. Se você pegar a ficha de Rosalba como prefeita, verá que ela não é tão simpática. Não mostra essa probidade toda.
OM: Mas na leitura da mensagem anual ela disse que estava fazendo um governo limpo.
NQ: Na leitura da mensagem anual foi interessante. Eu achei tudo exagerado. Não sei se mais na falsidade ou na mentira. Fico mais com a segunda. Ela chegou ao ponto de dizer que a Barragem de Oiticica foi prometida por vários governadores. Vou citar três que eu sei que não prometeram. José Agripino foi governador duas vezes, e eu não o vi prometer isso. Garibaldi foi oito anos governador, e eu nunca o vi prometer isso. Ele construiu a barragem de Upanema, de Apodi, de São João do Sabugi e nunca prometeu Oiticica. Wilma em oito anos nunca prometeu. Nem a própria Rosalba prometeu a Barragem de Oiticica. A obra surgiu quando Iberê era secretário de Recursos Hídricos no governo Wilma. Ele fez o projeto orientado pelo Governo Federal e na época deixou tudo licitado quando já era governador. Era uma obra de 311 milhões de reais. Aí ela disse na mensagem que estava superfaturado. Na licitação, duas empresas ganharam o consórcio. Seriam 500 milhões de metros cúbicos. O projeto é o mesmo, mas o que aconteceu com RosalbaCiarlini: ela simplesmente, orientada pelo esposo, mandou engavetar o projeto e chegou a dizer na mensagem que o projeto estava viciado. Ela disse e desdisse, e eu queria perguntar a ela porque a licitação é a mesma, o projeto é o mesmo e o valor é o mesmo. Se houve superfaturamento, ela o manteve. Ela citou o Tribunal de Contas da União, que fez algumas perguntas e na época o secretário era Robinson Faria, e eu perguntei a ele, que me disse que Carlos Augusto quer que acabe com os contratos e veio rolando, rolando saiu Robinson e continuou a mesma coisa. Tentaram mudar a licitação usando o Tribunal de Contas, para depois aproveitar tudo do governo de Iberê e Wilma. A gente não pode dizer que houve superfaturamento porque está tudo a mesma coisa. Essa mulher não sabe o que diz, não está normal. Ela agrediu os outros governadores. A gente fica constrangido com a forma como Rosalba conduz o Estado. Estou provando e desafio quem quer seja do Governo para debater comigo a Barragem de Oiticica. Além do mais, ela anunciou que vai construir três adutoras em Caicó: a de Lajinhas, que é uma obra do Governo passado e não está concluída, e a caixa d'água caiu faz dez dias; no povoado Palma, ela citou que está fazendo, e Barra da Pingada está quase concluída. São uma de três prontas. No dia que a presidente Dilma veio, ano passado, e estava pousando em Natal, quando o boato já rolava na imprensa que a assinatura da ordem de serviço não ia ser mais realizada e isso se confirmou. Liguei para Henrique a pedido do próprio Carlos Augusto para saber sobre isso. Henrique me disse que a presidente pediu parar tirar por questões técnicas e Rosalba não deu nenhuma palavra. A obra vai sair pela força do deputado Henrique Eduardo Alves.
OM: O deputado Vivaldo Costa afirma que pela primeira vez na vida vai votar no PMDB. Como vai ser a convivência com ele?
NQ: Vivaldo já sabe que com ele no palanque eu não vou subir. Aliás, em 2010, em São José do Seridó, foi interessante, o prefeito Jackson Dantas apoiava Rosalba e estava comigo. Ele proibiu que Vivaldo subisse no palanque da terra dele. Imagine agora que o candidato é do PMDB. Não tem a mínima possibilidade de ele subir no palanque comigo ou qualquer um do PMDB. Ele quer votar a força para salvar o mandato dele. Vivaldo está em final de carreira, com 80 anos de idade e não cumpre compromisso nenhum. Ele já perdeu várias eleições: para prefeito, deputado estadual e federal. Ele se manteve com o irmão dele Bibi Costa. Ele está numa situação complicadíssima. Vivaldo até fez alguma coisa pelo Seridó, mas foi muito mais para ele, como no caso do Hospital do Seridó, que é mantido pela Fundação Carlindo Dantas. Foram mais de cinco milhões de reais em convênios com o Governo Wilma. Era para comprar medicamentos e vive faltando e ninguém fiscaliza. Vivaldo está numa situação politicamente muito difícil. Ele está procurando salvar o seu mandato e ainda está usando o Governo Rosalba, apesar de dizer que não apoia mais.
OM: Henrique de vez em quando diz que pode ter uma aliança ainda com o DEM. O senhor concorda com essa possibilidade?
NQ: Não dá para analisar o assunto porque essa questão do DEM com Rosalba candidata. A governadora tem o direito. Sobre "se" a gente não pode dar a resposta. Precisamos saber se ela vai estar elegível, se Agripino vai lhe dar a legenda... essa pergunta é difícil de responder. Não há como nem sonhar com uma aliança com o DEM.
OM: Por que o pedido de impeachment de Rosalba não caminha na Assembleia?
NQ: Bruno, é muito difícil essa situação. Se o impeachment chegar, eu votarei a favor. Mas eu já encontro pessoas que dizem: "Rosalba é ruim, mas não vote para ela sair não porque senão o vice assume e vai terminar de acabar o Estado, porque ele vai querer ser candidato à reeleição e reeleger o filho deputado federal. A gente está numa situação "se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come". Particularmente, se o pedido for bem baseado, já cabe. Mas não depende só de mim, mas de um grupo de partidos. Mas precisamos pensar no estado do Rio Grande do Norte.
 
Por Bruno Barreto

Fonte: O Mossoroense

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