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quarta-feira, 14 de setembro de 2022

É #FAKE que vídeo prove que Datafolha não entrevista bolsonaristas


Circula nas redes sociais um vídeo em que um homem constrange e filma uma pesquisadora e afirma que o Datafolha não entrevista bolsonaristas. A alegação é #FAKE.

No vídeo o homem diz: "Ela não aceita bolsonarista, tá aqui ó, se você é bolsonarista ela não aceita. Talvez aceita do Lula aqui ó, Datafolha. Qual é teu nome moça? Deixa eu filmar aqui você. Aqui ó, se escondendo ó ó Datafolha ó fazendo a pesquisa no Alto da Lapa. Você vai tomar o celular, você vai me agredir? Aí ó Datafolha ó tá vendo ó? Se for Bolsonaro ela não faz a pesquisa. Ó ela fugindo aqui ó. Tá fugindo ó. Ela não faz a pesquisa. Tá se escondendo ó. Datafolha aqui ó. Tá vendo aí ó? Se escondendo. Se for Bolsonaro... olha lá correndo lá, Datafolha." Outro homem diz: "Eu fui colocar lá que era Bolsonaro e eles não aceitaram, não. " Novamente o locutor principal diz: "Canalha, sujo, Folha de São Paulo canalha lá ó, se escondendo, olha lá correndo lá ó, vai lá correndo ó, Datafolha. Se escondendo. Entendeu? Se você falar que é Bolsonaro, ele corre ó, correu, ó. Datafolha correu. Olha para você ver, a mentira, a falsa, a falcatrua, a pilantragem do Datafolha da Folha de São Paulo, canalhice, tem um monte de gente aqui que é Bolso..."

Não é verdade que o Datafolha não entrevista bolsonaristas como alega o homem no vídeo. As entrevistas têm de ser aleatórias e pedidos de entrevistas não são aceitos. Além disso, a pesquisadora tinha cotas de idade a cumprir.


Procurado pelo Fato ou Fake, o Datafolha esclarece que no episódio em questão, a pesquisadora foi abordada por um segurança de um estabelecimento comercial, na Vila Leopoldina, após realizar uma entrevista em frente a este local. Esse segurança estava filmando a pesquisadora quando a abordou, perguntou se ela trabalhava para o Datafolha e então solicitou que ela o entrevistasse.


"De forma correta, a pesquisadora explicou que não poderia entrevistá-lo, já que toda abordagem deve ser aleatória, e pedidos de entrevistas não são aceitos para atender esse critério de aleatoriedade. Além disso, ela explicou que tinha cotas de idade a cumprir, que a pessoa em questão não atenderia. Ela então pediu para que parassem de filmá-la, e tentou interromper a filmagem. Nesse momento, outras pessoas se juntaram ao segurança agressor e começaram a ofendê-la, conforme mostra o vídeo que circula nas redes sociais."

A nota explica ainda que o Datafolha realiza treinamentos regulares para orientar os pesquisadores de campo, e não aceitar entrevistas de pessoas que se ofereçam para responder a um questionário é uma das principais normas de condução que esses pesquisadores devem atender durante sua abordagem.

"Como parte do material de todos os pesquisadores são checados remotamente, a transgressão dessa norma leva ao cancelamento automático de todos os questionários desse pesquisador. Dessa forma, diante da recusa em não entrevistar pessoas que se ofereçam ou agressivamente exijam responder a um questionário, a pesquisadora não só atendeu a todos os parâmetros que uma pesquisa séria deve seguir, mas também protegeu o objeto de seu trabalho."


O vídeo que mostra a pesquisadora do Instituto Datafolha atacada ao realizar seu trabalho na cidade de São Paulo foi feito em 13 de setembro de 2022. Além de prestar informações sobre seus procedimentos, o Datafolha defende a condução técnica e responsável da profissional do instituto diante da situação.

Mensagens falsas que estimulam a desconfiança sobre institutos de pesquisas e pesquisadores têm sido frequentes em época eleitoral. O Fato ou Fake já desmentiu áudio atribuído a ex-diretor do Datafolha sobre fraude nas urnas. Também desmentiu que agentes do Censo usem celular como urna eletrônica e roubam dados para fraudar eleição.

O Globo

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