Hoje, o Twitter suspendeu a conta de Cintra por "ordem judicial". Na decisão, Moraes cita que as publicações do ex-secretário da Receita Federal incluem ataques ao STF e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), além de espalhar "notícias fraudulentas acerca do funcionamento das urnas eletrônicas e do processo eleitoral".
O magistrado também proibiu Cintra de publicar, promover, replicar e compartilhar ataques e notícias falsas sobre o processo eleitoral brasileiro, sob pena de multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento. Moraes também fixou multa diária de R$ 100 mil, caso o Twitter não bloqueie os perfis ligados a Cintra.
"Conforme se verifica, Marcos Cintra utiliza as redes sociais para atacar as instituições democráticas, notadamente o Tribunal Superior Eleitoral, bem como o próprio Estado Democrático de Direito, o que pode configurar, em análise preliminar, crimes eleitorais", diz a decisão do ministro.
O UOL procurou Cintra, mas ainda não obteve retorno. Se houver manifestação, ela será incluída na reportagem.
Compartilhamentos endossam discurso bolsonarista.
Nas redes sociais, a postagem de Cintra tinha críticas às urnas eletrônicas e vinha sendo usada por bolsonaristas para alegar que a eleição foi fraudada em favor do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em uma das publicações, Cintra questionou o fato de Bolsonaro ter "zero votos em centenas de urnas" e chegou a dizer que as dúvidas sobre a eleição eram legítimas.
Em seu site pessoal, o professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) disse acreditar na legitimidade das instituições e que não admite que o TSE "seja cúmplice, no caso de descobrirem algum bug no sistema". Ele cobrou que o tribunal se debruce sobre esses fatos e os esclareça.
Disse também que o fato de essas urnas estarem em comunidades quilombolas e indígenas "não explica esses resultados, sob pena de admitir que essas comunidades foram manipuladas". Cintra chegou a escrever também que, caso houvesse registros em papel, esses casos poderiam ser rapidamente descartados, evitando dúvidas sobre a integridade do sistema.
"São dúvidas legítimas. Qualquer cidadão, como eu, tem o dever de exigir esclarecimentos das autoridades competentes para preservar a democracia e a legitimidade de nossas instituições. Quero ardentemente acreditar que haja explicação convincente", alegou.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, é comum a convergência nos votos em comunidades indígenas ou quilombolas e não representa indício de fraude.
Ao longo deste domingo (6), Cintra esteve entre os assuntos mais comentados. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) classificaram como censura o seu banimento do Twitter.
UOL

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