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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Trump e outros republicanos lançam dúvidas sobre resultados das eleições nos EUA


ex-presidente Donald Trump postou mensagens nas redes sociais, na terça-feira (1º), para lançar dúvidas sobre a legitimidade da eleição de meio de mandato no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. “Aqui vamos nós novamente!”, escreveu. “Eleição fraudada!”, continuou.

Mas qual é a suposta evidência de Trump? Ele utiliza um artigo de um site de notícias de direita que não demonstrou nenhuma manipulação. Em vez disso, o texto levantou suspeitas infundadas sobre dados de cédulas ausentes, não as explicando claramente.

Em 2020, Trump e seus aliados fizeram um esforço prolongado para desacreditar antecipadamente os resultados das eleições presidenciais, passando meses preparando as bases para suas falsas alegações pós-eleitorais de que o pleito foi roubado. Agora, nas semanas que antecedem o dia das eleições em 2022, alguns republicanos estão empregando uma retórica semelhante – e igualmente desonest

Semeando dúvidas infundadas sobre a contagem da Pensilvânia

Trump não é o único republicano que tenta promover infundadamente suspeitas sobre as eleições de meio de mandato na Pensilvânia, um estado que pode determinar qual partido controla o Senado dos EUA.

Depois que o chefe interino das eleições da Pensilvânia, Leigh Chapman, disse à NBC News na semana passada que poderia levar “dias” para concluir a contagem de votos, o candidato republicano Doug Mastiano, que repetidamente promoveu falsas teorias da conspiração sobre a eleição de 2020, declarou em um programa da organização liberal Media Matters for America: “Essa é uma tentativa de consertar”.

Não é. Simplesmente leva tempo para contar os votos – especialmente, como observou Chapman, porque a legislatura estadual controlada pelos republicanos se recusou a aprovar um projeto de lei sem compromisso para permitir que os condados comecem a processar as cédulas por correio antes da manhã do dia da eleição.

Mas outros republicanos proeminentes continuaram. O senador Ted Cruz, do Texas, tuitou um link para um artigo sobre os comentários de Chapman e acrescentou: “Por que apenas as cidades azuis democratas levam ‘dias’ para contar seus votos? O resto do país consegue fazê-lo na noite das eleições.”

Mesmo que as grandes cidades que tendem a se inclinar para os democratas têm muito mais votos para contar do que os pequenos condados rurais que tendem a se inclinar para os republicanos, a afirmação de Cruz é completamente falsa.

Condados de todos os tipos em todo o país – incluindo, como observou o PolitiFact, alguns republicanos no Texas – não completam sua contagem de votos na noite da eleição. Na verdade, é impossível para muitos condados fazer a contagem final na noite das eleições.

Mesmo alguns dos estados mais republicanos do país contam cédulas de ausência (ou, em alguns casos, cédulas especificamente de membros das forças armadas e cidadãos estrangeiros) que chegam dias após a eleição, desde que sejam postadas no dia da votação. E alguns estados, incluindo alguns liderados por republicanos, dão aos eleitores dias após o pleito para corrigir problemas com suas assinaturas ou fornecer a prova de identidade que não tinham.

As autoridades eleitorais americanas não declaram vencedores ou totais oficiais de votos na noite das eleições. Em vez disso, os meios de comunicação fazem projeções não oficiais com base em dados incompletos.

Rejeitando preventivamente uma possível vitória de Fetterman

Os desafios de saúde do candidato democrata na corrida ao Senado da Pensilvânia, o vice-governador John Fetterman, também foram usados ​​para lançar dúvidas preventivas sobre o possível resultado.

Depois que Trump foi derrotado por Joe Biden em 2020, algumas personalidades de direita insistiram que a eleição deve ter sido roubada porque Biden era um candidato tão ruim. Na Fox, na semana passada, como observou o Media Matters, o apresentador do horário nobre Tucker Carlson fez um argumento semelhante sobre a corrida ao Senado da Pensilvânia – sugerindo que as pessoas não deveriam aceitar uma vitória de Fetterman porque seria “transparentemente absurdo” para um candidato que teve dificuldades com o público, com problemas de fala e processamento auditivo desde um acidente vascular cerebral em maio.

Mas não haveria nada suspeito sobre Fetterman vencer em um estado que Biden conseguiu ganhar por mais de 80 mil votos em 2020. O vice-governador liderou muitas — embora não todas — pesquisas de opinião. E os levantamentos descobriram repetidamente que os eleitores da Pensilvânia continuam a vê-lo muito melhor do que o seu oponente republicano, Dr. Mehmet Oz.

Questionando a legalidade dos votos em Detroit

A cidade de Detroit, como outras dominadas pelos democratas com grandes populações negras, tem sido alvo de falsas teorias da conspiração de 2020 de Trump e outros políticos. Agora, o candidato republicano à chefe das eleições de Michigan já está desafiando a validade de dezenas de milhares de votos de Detroit em 2022.

Menos de duas semanas antes do dia da eleição, Kristina Karamo, que nega o resultado da eleição de 2020 e a indicada republicana para secretária de Estado de Michigan, entrou com uma ação pedindo a um tribunal que “interrompa” o uso de cédulas ausentes em Detroit se não forem obtidas pessoalmente em cartório. Ainda solicitou que somente as cédulas obtidas presencialmente poderão ser “validamente votadas” nesta eleição.

Esse pedido potencialmente significaria a rejeição de milhares de votos já emitidos legalmente pelos moradores de Detroit – no estado cuja constituição dá aos moradores o direito de solicitar cédulas ausentes pelo correio.

O advogado de Karamo amenizou vagamente o pedido durante as alegações finais na sexta-feira (4), informou o Detroit News. E outros republicanos proeminentes até agora mantiveram distância do caso.

No entanto, o processo prepara o caminho para Karamo, que está perdendo nas pesquisas de opinião, para rejeitar infundadamente a legitimidade de uma derrota.

Lançando calúnias vagas

Outros candidatos republicanos sugeriram vagamente a possibilidade dos democratas, de alguma forma, trapacearem no dia da eleição ou durante a contagem dos votos.

O senador republicano Ron Johnson, de Wisconsin, disse a repórteres esta semana que “vamos ver o que acontece” quando questionado sobre aceitar os resultados de sua corrida à reeleição, informou o Washington Post, acrescentando: “Quero dizer, algo vai acontecer na eleição? Dia? Os democratas têm algo na manga?”

O Daily Beast informou que Blake Masters, candidato republicano ao Senado em uma disputa acirrada no Arizona, contou sobre como ele não pode provar que não é verdade que, se vencer o senador democrata Mark Kelly por 30 mil votos, pessoas não identificadas não vão apenas “encontrar 40 mil” para Kelly. Masters contou uma história semelhante em um evento em junho.

Não há base para a sugestão de que poderia haver dezenas de milhares de votos fraudulentos adicionados à contagem de qualquer estado. Mas o comentário de Masters, como o processo de Karamo, atingem o efeito de muitos dos contos pré-eleitorais de Trump em 2020: os principais eleitores republicanos desconfiam de qualquer resultado que não seja do seu jeito.

CNN 

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Aliados no exterior abandonam Bolsonaro; Ao menos 88 países reconhecem Lula


Governos de pelo menos 88 países já confirmaram nas redes sociais ou em telegramas oficiais a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições brasileiras no fim de semana. O número, segundo o UOL apurou, irá aumentar ainda mais ao longo desta terça-feira, com dezenas de autoridades buscando formas de falar com o vencedor do pleito.

A avalanche de reconhecimentos foi recebida no Itamaraty como um sinal claro de que, para a comunidade internacional, não existem questionamentos sobre a eleição e que, a partir de agora, o interlocutor é Lula, e não Bolsonaro.

Se as principais democracias do mundo e alguns dos principais rivais de Bolsonaro se apressaram para reconhecer a derrota do presidente de extrema direita, o que surpreendeu a ala mais próxima ao movimento ultraconservador foi o comportamento de aliados internacionais de Bolsonaro.

Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, foi às redes sociais para felicitar Lula. Ela acaba de vencer suas eleições na Itália e, pela primeira vez em décadas, o movimento herdeiro do fascismo tomou o poder em Roma.

Em sua vitória, Meloni recebeu efusivas mensagens do clã Bolsonaro, numa esperança de que a nova aliada fizesse o mesmo no Brasil. Mas isso não ocorreu e a italiana fez votos de que Lula e ela continuem a trabalhar juntos em nome da "histórica amizade" entre os dois povos.

Mais moderada foi a ultraconservadora Katalin Novak, presidente da Hungria e que há poucos meses esteve no Brasil. Ela não citou o nome de Lula nas redes sociais. Mas deixou claro que Budapeste reconhece a vitória do petista e que deseja sucesso ao "presidente eleito". Ao longo dos anos, a Hungria foi o exemplo que o bolsonarismo adotou para silenciar a imprensa, a sociedade civil, controlar os demais poderes e desmontar a democracia.

Em Israel, nem mesmo o gesto de Bolsonaro de apontar para um reconhecimento de Jerusalém como capital e a mudança de votos do Brasil na ONU em favor dos israelenses levou o governo do país estrangeiro a hesitar sobre a eleição brasileira. Durante o dia da eleição, a primeira-dama Michelle Bolsonaro foi votar com uma camisa na qual a bandeira de Israel estava estampada, uma sinalização principalmente ao movimento evangélico brasileiro.

Mas, nas redes sociais, Isaac Herzog parabenizou Lula. "Recomendamos com carinho sua visita a Israel diante seu mandato anterior", disse. "Esperamos aprofundar nossos excelentes laços e principalmente cooperar em um assunto que tanto nos preocupa: o meio ambiente",

Na Polônia, também governada pelos ultraconservadores, as autoridades não hesitaram em saudar a vitória de Lula.

Na América do Sul, o reconhecimento do Suriname nas últimos horas completou o mapa da região, com todos os vizinhos do Brasil chancelando o sistema eleitoral do país. Todos os países dos Brics também sinalizaram na mesma direção.

O reconhecimento amplo não ocorreu por acaso. Depois de semanas de uma coordenação detalhada, democracias Ocidentais se apressaram para parabenizar Luiz Inácio Lula da Silva pela vitória, com telegramas e mensagens nas redes sociais ainda na noite de domingo. A meta era de criar um cordão sanitário que impedisse Jair Bolsonaro de repetir a estratégia de Donald Trump e questionar a lisura da eleição. Outro temor era de que o cenário de caos da Bolívia fosse repetido,

Ao parabenizar Lula, o que Biden, Emmanuel Macron, Olaf Scholz e tantos outros fizeram foi sinalizar que confiavam no processo eleitoral e nos resultados das urnas eletrônicas. Mas há um segundo recado: a partir de agora, reconhecem que o poder legítimo no Brasil está com Lula.

Entidades internacionais também se expressaram, como a Organização dos Estados Americanos, ONU e a União Europeia.

O processo de isolamento de Bolsonaro foi completado nesta segunda-feira quando os maiores aliados do Brasil fora do Ocidente - China e Rússia - deixaram claro que querem estabelecer parcerias amplas com Lula.

Em menos de 24 horas, portanto, uma espécie de cordão sanitário foi estabelecido, enquanto assessores de Lula indicam que a busca pelo presidente eleito por parte de governos e entidades internacionais explodiu.

Um exemplo é a Conferência do Clima da ONU, no Egito. O UOL apurou que delegações estrangeiras estão enviando negociadores extras para que tenham como incumbência buscar a equipe de transição do Brasil para iniciar a negociação de novos entendimentos.

A fila para falar com o Brasil de Lula, segundo diplomatas, já preenche uma ampla agenda.

Entre os europeus, havia ainda a esperança de que Bolsonaro permitisse que uma equipe de transição ou até mesmo Lula fosse para a cúpula do G-20, que ocorre em novembro na Indonésia. Mas, dentro do Itamaraty, a possibilidade é vista como "impossível".

No G-20, porém, diplomatas brasileiros já admitem que, se Bolsonaro for, será difícil organizar qualquer tipo de encontro para o presidente derrotado. Principalmente se mantiver a postura de não reconhecer a derrota e iniciar um processo de transição.

UOL 

domingo, 30 de outubro de 2022

Joe Biden cumprimenta Lula pela vitória: "Espero trabalharmos juntos"


Presidente dos EUA sinalizou a reabertura do canal de negociações entre a maior economia do mundo e o Brasil. Relações andavam estremecidas desde a saída do polêmico Donald Trump.

Poucos minutos após a confirmação do resultado das eleições presidenciais, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, parabenizou o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória nas eleições do segundo turno deste domingo (30/10).

Binden elogiou o processo eleitoral classificando de "justo e confiável" e ainda sinalizou a reabertura do canal de negociações entre a maior economia do mundo e o Brasil. As relações andavam estremecidas desde a saída do polêmico Donald Trump.

Parabéns ao Luiz Inácio Lula da Silva por ser eleito o próximo presidente do Brasil após um processo eleitoral livre, justo e confiável. Espero trabalharmos juntos para continuar a cooperação entre nossos países nos próximos meses e anos", disse Biden, em nota da Casa Branca divulgada pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Quando Biden foi eleito, em 2020, o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi um dos últimos chefes de estados a reconhecer a vitória do democrata nas urnas.

Com 99,83% das urnas apuradas, Lula recebeu 60,2 milhões de votos e Bolsonaro, 58,1 milhões. Aos 77 anos, o petista foi eleito pela terceira vez. 

Correio Braziliense 

sábado, 22 de outubro de 2022

Potiguar vai chefiar laboratório de pesquisa em Harvard

A biomédica potiguar Helena Varela assume nesta segunda-feira (24) a supervisão de um laboratório clínico na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, uma das instituições de ensino mais prestigiadas do mundo. Helena é especialista em uma técnica laboratorial utilizada para diagnosticar leucemias e linfomas chamada citometria de fluxo. Em janeiro deste ano, ela já havia sido contratada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde atuou como assistente técnica do Whitehead Institute até a semana passada.


Helena Varela, biomédica e supervisora do Beth IsraelDeaconess Medical Center:“Eles me deram total autonomia”, diz.

Assumindo um car.go de chefia pela primeira vez aos 28 anos, Helena conta que está animada com o “maior desafio da carreira acadêmica”. Ela vai comandar o Beth Israel Deaconess Medical Center, hospital da Harvard Medical School. “Estou bem feliz porque pelas poucas conversas, eles me deixaram 100% à vontade para colocar o meu jeito de trabalhar no setor. Acho isso muito legal. É muito quando você entra num lugar, que já está todo engessado e você não pode mudar. Eles me deram total autonomia, o que eu achei sensacional”, afirma.

O processo de mudança, do MIT para Harvard, teve início há dois meses. “Eu estava ajudando uma amiga para uma outra vaga, até que eu encontrei essa vaga de Harvard. Não tinha menor pretensão de sair de onde eu estou agora, mas pensei: vou mandar só para que eles saibam que eu existo. No outro dia o recrutador já me mandou um e-mail pedindo dois horários disponíveis para fazer entrevistas. Depois eles me falaram que eu fui selecionada, que eles queriam muito que eu fosse para lá”, diz.

De acordo com a cientista, a citometria de fluxo pode ser utilizada para pesquisa científica e também para o diagnostico clínico de doenças. “A minha paixão é o diagnóstico de linfomas e leucemias e foi o que trouxe até aqui”, relata. Por meio da citometria de fluxo é possível analisar simultaneamente diversos parâmetros celulares. O princípio está na incidência de uma fonte de luz a laser que intercepta partículas sanguíneas, fornecendo dados relativos ao tamanho e à granularidade de cada uma delas, entre outros dados, a partir da dispersão da luz.

Com alta demanda e poucos profissionais especializados, Helena conta que empresas e laboratórios estão “caçando” pesquisadores que possam trabalhar na área. E foi assim que a natalense foi parar nos Estados Unidos. Em setembro do ano passado ela recebeu uma mensagem via LinkedIn de uma empresa de recrutamento. “Eles perguntaram se eu tinha disponibilidade de ir me mudar para Boston”, lembra. Depois do primeiro contato, Helena foi aprovada em um processo seletivo que durou dois meses, com 12 entrevistas.

Em janeiro deste ano ela desembarcou na cidade de Cambridge para atuar no MIT, de onde foi chamada para integrar um dos hospitais da escola de medicina de Harvard. Hoje, Helena é uma das referências quando o assunto é citometria de fluxo para diagnóstico de patologias. Em 2018, o trabalho de conclusão de curso da potiguar intitulado “Síndrome Mielodisplásica: validação de ficha de score multilinhagem por citometria de fluxo” foi publicada na Revista Einstein. No mesmo ano, o trabalho foi apresentado em um congresso na Bélgica.

A trajetória de sucesso da natalense, formada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), teve uma virada de chave importante em 2015. “Foi quando eu entrei num estágio nessa área que atuo hoje. Não tinha a menor ideia do que poderia ser, mas aceitei, abracei aquele tema e me apaixonei”, conta. Em 2017 ela mudou-se para São Paulo, concluiu a pós-graduação em Laboratório Clínico no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

Entre 2017 e 2021, Helena atuou no Hospital das Clínicas e no Centro de Hematologia, ambos na Universidade de São Paulo (USP). Nascida em Natal, fez, entre 2012 e 2016, uma dupla Graduação em biomedicina, pela UFRN e pela University of Kent, na Inglaterra. 

Atuação nas redes

Helena Varela também é fundadora de uma página educativa sobre a citometria de fluxo. O objetivo dos canais na internet é explicar a temática em uma linguagem compreensível, de modo a ajudar no entendimento da área por alunos em níveis de graduação e pós-graduação lato e stricto sensu. “A maioria do conteúdo é em inglês e com abordagem bastante técnica, dificultando a aprendizagem. Conheci pesquisadores que tinham de usar a técnica para suas investigações em Mestrado e doutorado, mas não sabiam por onde começar”.

Tribuna do Norte 

domingo, 25 de setembro de 2022

EUA alertam Putin sobre “consequências catastróficas” se armas nucleares forem usadas na Ucrânia


Os Estados Unidos responderiam decisivamente a qualquer uso russo de armas nucleares contra a Ucrânia e explicaram a Moscou as “consequências catastróficas” que enfrentariam, disse o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, neste domingo (25).

Os comentários de Sullivan representaram o mais recente alerta americano após a ameaça nuclear velada feita por Vladimir Putin na quarta-feira (21), em um discurso no qual o presidente russo também anunciou a primeira mobilização militar de seu país em tempos de guerra desde a Segunda Guerra Mundial.

“Se a Rússia cruzar essa linha, haverá consequências catastróficas para a Rússia. Os Estados Unidos responderão decisivamente”, disse Sullivan ao programa “Meet the Press” da emissora NBC.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Ameaças de Putin reacendem previsão de Nostradamus sobre guerra na Europa


O astrólogo, médico e vidente Michael de Nostredame - também conhecido como Nostradamus - fez várias previsões assustadoras e, entre elas, há uma interpretação de seus textos que aponta para guerra na Europa em 2022. A visão voltou a ganhar força com as ameaças feitas pelo presidente Vladimir Putin de um possível ataque nuclear contra o ocidente, no contexto da invasão russa na Ucrânia.

Vladimir Putin fez novas ameaças vãs sobre o uso de armas nucleares numa possível guerra contra países europeus e disse que convocará 300 mil homens para servirem a Rússia. Caso o confronto se intensifique e atinja mais países, isso pode coincidir com as palavras de Nostradamus de que pode haver uma "invasão da França por uma ameaça do leste".

Nostradamus é apontado como tendo previsto corretamente o Grande Incêndio de Londres, o surgimento do ditador alemão Adolf Hitler e o assassinato do presidente norte-americano John F. Kennedy. Um tema recorrente nas previsões de Nostradamus é a invasão da França por uma ameaça do leste, como especialista apontam no livro "Les Prophéties" ou "As Profecias", de 1555, com 942 previsões.

Especula-se que a previsão de uma guerra na Europa se refira a 2022: "A cabeça azul causará danos à cabeça branca em tal grau, quanto o bem da França para ambos deve ser".

Assim como todas as previsões de Nostradamus, esta é bastante vaga, mas é citada como uma possível alusão ao início de uma 3ª Guerra Mundial, segundo o Daily Star.

Bravatas de Putin?

Apesar das ameças de Putin e as previsões apontadas a Nostradamus, o especialista em defesa Anthony Glees, professor da Universidade de Buckingham, tranquilizou os britânicos.

Poucas horas após o discurso de Putin ontem (21), Glees afirmou ao Daily Star que as falas de Putin "não passam de ameaças".

"Putin é um homem da KGB e fazer ameaças era o negócio da KGB - eles eram mestres nisso", afirma o professor. "Ele não pode realizar um ataque nuclear na área, pois você não enviaria seus soldados para um território radioativo."

"Chernobyl está logo abaixo e vive na memória das pessoas. Suas ameaças esfarrapadas são uma admissão de que ele está perdendo, e sua ameaça de armas nucleares é ridícula, pois um evento radioativo destruirá exatamente o que ele afirma querer. E os russos entendem isso".

O professor Glees também opinou que as ações tomadas pela Otan e alguns países europeus, que têm sido principalmente fornecer dinheiro e armas defensivas à Ucrânia, além de promover sanções contra os oligarcas russos, é a "coisa certa" a se fazer.

UOL 

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Biden discursa na ONU em tom incisivo contra ameaça renovada da Rússia

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, renovou as acusações contra a Rússia em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta quarta-feira (21).

O americano disse que Moscou rompeu princípios da Carta das Nações Unidas, documento fundador da entidade. E, embora não tenha chegado a pedir a expulsão do país do Conselho de Segurança —o mais poderoso colegiado do organismo multilateral—, afirmou que a Rússia desrespeita um dos tópicos fundamentais da carta, que impede países-membros de ameaçarem ou usarem a força contra a integridade territorial ou independência política de outras nações.

"Essa guerra busca a extinção do direito de a Ucrânia existir como um Estado, pura e simplesmente", declarou o democrata. "O mundo precisa ver esses atos absurdos pelo que são. Se as nações puderem exercer suas ambições imperiais sem que haja consequências, então colocamos em risco tudo o que esta instituição representa."

O presidente dos EUA, Joe Biden, durante discurso na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York - Shannon Stapleton - 21.set.22/Reuters

Biden ainda afirmou que a única coisa que impede hoje o fim da Guerra da Ucrânia é a própria Rússia. O conflito ganhou uma nova escalada nesta quarta, quando Vladimir Putin determinou pela primeira vez a mobilização de até 300 mil reservistas para o conflito e voltou a ameaçar adversários com uma guerra nuclear.

Vale lembrar que, a despeito do tom utilizado pelo presidente no discurso, o Ocidente por oito anos viu a Crimeia, de resto uma região historicamente russa, ser absorvida sem muito mais do que sanções e protestos. Além disso, os próprios EUA desafiaram preceitos da ONU ao invadir o Iraque em 2003, numa ação vista pelo então secretário-geral do órgão, Kofi Annan, como ilegal.

doenças. Mas não tocou em política interna, contrariando a expectativa de alguns analistas que previam algum tom eleitoral em sua fala.

Às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, Biden vem deixando de lado os pedidos de união entre democratas e republicanos para elevar o tom contra apoiadores do ex-presidente Donald Trump, chamando-os de "inimigos da democracia", acusando-os de estarem determinados "a levar o país para o passado" e assumindo o que ele chama de "batalha pela alma da nação".

Por tradição, o presidente americano é sempre o segundo chefe de Estado a falar na Assembleia-Geral —seu discurso deveria ter ocorrido na véspera, após o pronunciamento de Jair Bolsonaro. O democrata adiou o discurso para o segundo dia do evento em decorrência de sua viagem a Londres para o funeral da rainha Elizabeth 2ª.

Na agenda do líder para o dia, consta ainda um encontro com a delegação ucraniana, mas sem equivalente com o grupo russo, segundo afirmou a embaixadora americana na ONU à imprensa local.

Diferentemente da maioria dos líderes mundiais, Putin não foi a Nova York. Em seu lugar, mandou o chanceler Serguei Lavrov, que, alvo de sanções da Casa Branca, até o último minuto não sabia se conseguiria viajar. A ironia é que foi esta mesma ONU que deu prestígio a Lavrov, já que, antes de se tornar o líder da diplomacia de Moscou, ele foi embaixador na entidade por dez anos e era conhecido pelo bom relacionamento com outras autoridades.

UOL 

terça-feira, 20 de setembro de 2022

O sonho do maior navio de cruzeiros do mundo naufragou


O Global Dream II zarparia — mas a falência da empresa de Hong Kong que o controlava pode levar a viagem inaugural para um ferro-velho.

Era para ser inigualável, um assombro a singrar os mares, o maior de todos os navios comerciais do mundo. O Global Dream II, da holding Genting Hong Kong, construído no estaleiro alemão MV Werten, no Mar Báltico, próximo a Rostock, começou a ser montado em 2019 para ter 342 metros de comprimento, 2 500 cabines e capacidade para 9 000 passageiros. Ostentaria um cinema imenso como os de Los Angeles, cassinos, piscinas, quartos com temperatura e iluminação controladas por smartphone e uma montanha-russa — sim uma montanha-russa! — de tirar o fôlego. O custo da brincadeira, celebrado com pompa e circunstância porque, entre as embarcações de cruzeiros, dinheiro (além do tamanho) é documento: o equivalente a 7,2 bilhões de reais.

Corria tudo bem, agências de turismo começavam a vender os pacotes de viagem para o início de 2022, até que o sonho virou pesadelo, e o gigante encontrou seu iceberg particular: a falência da operadora. A companhia foi uma das vítimas da quarentena rigorosa e necessária, apesar de destruidora, imposta pela Covid-19. Como resultado, o acabamento foi interrompido no fim de 2020 (faltavam ainda 30% para a finalização), operários tiveram de ser demitidos, e o navio ficou preso entre andaimes, à procura de um xadrez financeiro que não apareceu. O administrador da massa falida, Carsten Haake, da MV Werten, busca compradores, que sumiram. “Não temos pressa, nosso objetivo é conseguir o preço mais alto”, diz Haake. Pensou-se em leilão, mas não vingou. A ruidosa e dramática solução, caso não apareçam interessados, pode ser o desmanche — e a viagem inaugural seria para um ferro-velho, triste e inelutavelmente. Como não é equipado para enfrentar guerras, e portanto não pode receber armamentos, tanques e aviões, como se imaginou como acerto desesperado, o colosso terá de ser desmontado. Seu irmão, o Global Dream, que já estava pronto, teve melhor sorte, conseguiu um comprador, e pode até sobreviver.


O sonho naufragado do Global Dream II deixou o Wonder of the Seas, baluarte da frota da Royal Caribbean, como o recordista mundial em tamanho. Ele tem 362 metros de comprimento e 64 de largura, podendo acomodar 6 988 turistas e 2 300 tripulantes. É o equivalente a cinco Tita­nic, o mais célebre e azarado dos transatlânticos, que naufragou em 1912, no Atlântico Norte. Virou estrela do verão europeu, indício de que o mercado de cruzeiros voltou a ganhar tração — apesar do susto com o navio que estava fadado a brilhar, o número 1, e que muito provavelmente nunca mais verá a luz do dia. O que fazer? Deixá-lo de lado, como exceção, e olhar para o vasto horizonte.


No Brasil, há ânimo renovado, depois da pandemia. Estima-se que na temporada de 2022 e 2023, que começa no fim de outubro e vai até abril do ano que vem, circulem pelas águas de cá pelo menos 780 000 leitos, em uma alta de 47% em relação ao que foi ofertado na temporada de 2019 e 2020, antes portanto do vírus que reinventou nossa vida. O crescimento é estrada para a criação de 44 000 empregos no país e um impacto de 3,8 bilhões de reais na economia. É alvissareiro, em toada semelhante ao resto do mundo, que busca voltar a viver como antes do tempo trancado em casa, por imposição sanitária. O Global Dream II, tudo levar a crer, pode vir a ser apenas o exemplo ao avesso em mar azul.

Veja 


domingo, 18 de setembro de 2022

Bolsonaro em Londres para despedida da rainha


O
 rei Charles III recebeu presidentes, primeiros-ministros e monarcas do mundo inteiro no Palácio de Buckingham neste domingo (18), um dia antes do enterro da rainha Elizabeth II. Esta foi uma oportunidade para a Reino Unido ter o novo monarca reconhecido.

presidente Jair Bolsonaro chegou na manhã de domingo na capital inglesa, visitou o caixão em Westminster Hall e prestou homenagem à rainha.

Na embaixada brasileira, o presidente foi recebido por um grupo de cerca de 100 apoiadores, com bandeiras do Brasil.

Falando da sacada, Bolsonaro afirmou que este é um momento de pesar para o Reino Unido. Ele falou aos apoiadores sobre pontos da campanha eleitoral e afirmou que ganhará o pleito em primeiro turno.

A comitiva do presidente também inclui a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, o ex-secretário de Comunicação do governo Fabio Wajngarten, além dos filhos Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

CNN 


terça-feira, 13 de setembro de 2022

Previsão de Nostradamus diz que Charles será substituído por rei misterioso


O escritor Mario Reading, um dos principais especialistas nos textos do profeta Nostradamus, diz que o reinado do rei Charles pode ser muito curto e que o príncipe Harry pode assumir o trono. Ele afirma que o divórcio do então príncipe Charles da princesa Diana levaria a uma desaprovação generalizada que forçaria o novo rei a abdicar.

Segundo reportagem publicada pelo tabloide britânico Daily Star, o livro, escrito em 2005, reinterpreta as previsões originais feitas por Nostradamus há 447 anos e sugere que "um homem que nunca esperou se tornar rei" assuma o trono. Isso levou à afirmação bombástica de que ele pode estar se referindo ao príncipe Harry ou mesmo ao australiano Simon Dorante-Day, que afirma ser o filho secreto do rei Charles e Camilla Parker Bowles.

No livro, Reading usa as quadras enigmáticas escritas em 1555 para prever com precisão o ano da morte de Sua Majestade, a Rainha. "O preâmbulo é que a rainha Elizabeth II morrerá, por volta de 2022, com cerca de noventa e seis anos, cinco anos antes do prazo de vida de sua mãe", diz o autor.

O escritor continua a especular que o termo "Rei das Ilhas", usado em um dos poemas proféticos de Nostradamus, significa que no início do reinado do rei Charles 3º grande parte da Commonwealth terá se separado, deixando o reino confinado aos britânicos.

"O príncipe Charles completará setenta e quatro anos em 2022, quando assumir o trono, mas os ressentimentos contra ele por uma parte da população britânica, após seu divórcio de Diana, princesa de Gales, ainda persistem", escreve Reading.

Ele então especula que, tendo em conta a idade avançada do rei Charles, a pressão do povo o forçará a abdicar em favor do príncipe William. Em uma segunda revisão de seu livro, publicada no ano seguinte, faz uma afirmação ainda mais dramática.

O autor revisita uma das quadras de Nostradamus que diz "Um homem substituirá aquele que nunca esperou ser rei" e sugere uma leitura dramática desse trecho do texto. "Isso significa que o príncipe William, que esperava suceder seu pai, não está mais em cena?", pergunta.

UOL

sábado, 10 de setembro de 2022

Charles III é proclamado soberano do Reino Unido


Cerimônia reuniu premiê Liz Truss e seis ex-primeiro.

Em cerimônia realizada neste sábado (10), no Palácio de St. James, em Londres, o rei Charles III foi proclamado oficialmente soberano do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte. Participaram da solenidade a primeira-ministra britânica Liz Truss, seis ex-primeiros-ministros – Boris Johnson, Theresa May, David Cameron, Gordon Brown, Tony Blair e John Major –, bispos e políticos. A rainha consorte, Camilla, e o filho mais velho do soberano, William, também estavam no palácio.

Na solenidade de proclamação, que foi filmada pela primeira vez, o rei Charles III emitiu declaração pessoal, na qual agradeceu as manifestações de simpatia, afeto e apoio recebidas por ele e seus irmãos pela da perda da mãe. Na mensagem, o novo soberano destaca que a solidariedade recebida pela família não é apenas do Reino Unido, mas do mundo inteiro.

Ao assinar o juramento pelo qual se tornou rei, Charles III comprometeu-se a "seguir o exemplo inspirador" da sua mãe e manifestou-se consciente dos deveres e da "pesada responsabilidade" da monarquia.

Do lado de fora do palácio, e ao ritmo de trombetas, uma multidão, que se reuniu para acompanhar de perto a cerimônia de proclamação do novo monarca britânico,cantou God Save the King (Deus Salve o Rei), o hino que pela primeira vez, em 70 anos, tem a palavra "rei" em vez de "rainha" em suas estrofes.

Por outro lado, tiros foram disparados no Hyde Park e na Torre de Londres, dois lugares emblemáticos da capital britânica, enquanto a proclamação era lida. 

O reinado de Elizabeth II, que morreu na quinta-feira (8), durou sete décadas. O funeral da soberana deve ser realizado no dia 19 deste mês.

*Com informações de agências internacionais

Funeral da rainha Elizabeth II é marcado para 19 de setembro, na Abadia de Westminster


O funeral de Estado da rainha Elizabeth II ocorrerá na Abadia de Westminster, em Londres, no dia 19 de setembro, anunciou o Palácio de Buckingham neste sábado (10).

Os planos para o funeral da rainha incluem uma estadia de quatro dias no Westminster Hall – a parte mais antiga da Abadia – a partir de 14 de setembro.

O caixão da rainha será transportado para a residência oficial da família real na Escócia, o Palácio de Holyroodhouse em Edimburgo, no domingo (11) e fará uma viagem de seis horas de carro funerário para permitir que os enlutados prestem seus respeitos à monarca.

Na segunda-feira (12), o caixão seguirá em procissão até a Catedral de St Giles, onde ficará em repouso até a terça-feira.

Em seguida, será levado para o Palácio de Buckingham antes de chegar ao Westminster Hall, onde o corpo da rainha permanecerá até a manhã de seu funeral.

Após o funeral, o caixão será levado novamente em procissão da Abadia de Westminster ao Arco de Wellington. De lá, ele viajará para Windsor. Uma vez no local, o carro fúnebre viajará para a Capela de São Jorge no Castelo de Windsor, onde ocorrerá o enterro.

A rainha morreu no Castelo de Balmoral, na Escócia, na quinta-feira (8), e no momento os preparativos estão sendo feitos para que seus restos mortais sejam transportados de volta a Londres.

CNN Brasil

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Morre Elizabeth II, a rainha que uniu os britânicos em crises, guerras e dilemas da monarquia

Britânicos choram por sua mais longeva soberana, uma rainha pop e discreta, que liderou um país enquanto o mundo passava por sucessivas mutações.




Dezenas de milhões britânicos sentem-se órfãos. A morte da rainha nesta quinta-feira, aos 96 anos, marca o fim de uma era. Em um país cada vez mais polarizado, Elizabeth Alexandra Mary Windsor era ponto pacífico, a face que ainda unia a grande maioria da população: ricos e pobres, monarquistas e até alguns republicanos. Seu reinado — o mais longevo da história britânica — durou sete décadas. Atravessou o período da Guerra Fria, sucessivas crises políticas e econômicas, entrou e saiu da União Europeia, enfrentou uma pandemia global.

"A rainha morreu pacificamente em Balmoral nesta quinta-feira", diz a nota do Palácio. "O rei [Charles] e a rainha consorte [Camilla] continuarão em Balmoral nesta noite e retornarão a Londres amanhã."

Lilibeth, como era chamada pelo pai, o rei George VI, de quem herdou a Coroa em 1952, quando tinha apenas 25 anos, se tornou para os súditos símbolo de força e estabilidade em um mundo onde tudo parece tão efêmero. Era respeitada e aprovada por 75% dos britânicos, segundo números de uma pesquisa feita no segundo trimestre deste ano pelo instituto YouGov.

Foi após a morte do consorte, o príncipe Philip, em 9 abril de 2021, que o Reino Unido finalmente se deu conta da fragilidade da soberana. Vestida de preto, apareceu sentada sozinha em um dos bancos de madeira da capela do Castelo de Windsor. Estava isolada do resto da família durante as exéquias por conta do coronavírus. A imagem estampou as primeiras páginas dos jornais do mundo inteiro. Solitária e triste, era apenas uma nonagenária de carne e osso que enfrentava o luto após um casamento de 74 anos.

Quando ficou viúva, foi buscar refúgio em Windsor, sua residência favorita, o mais antigo castelo ocupado do mundo, onde viveu seus últimos dias de casada. Dali passou a tremular o pavilhão da Casa Real. A monarca resolveu não voltar mais para o Palácio de Buckingham, apenas para compromissos inadiáveis. Ela chegou a retomar as atividades oficiais, mas aparições públicas foram se tornando cada vez mais raras. Nos últimos dias, se refugiou no Castelo de Balmoral, na Escócia, onde na terça-feira empossou a nova primeira-ministra, Liz Truss.

Durante todos esses anos, Elizabeth II parecia inabalável. Por dever de ofício, guardou para si opiniões políticas e posições sobre a maioria dos temas considerados sensíveis. Talvez por isso tenha cometido poucos erros. Nem mesmo os escândalos da família real — e não foram poucos — mudavam a atitude da monarca. Em 1992, depois da separação do príncipe Charles e do príncipe Andrew e de um incêndio em Windsor, admitiu em público que vivia um “annus horribilis". Mal sabia ela que depois viriam a morte da princesa Diana, e uma imensa comoção nacional e internacional, em 1997; acusações de pedofilia contra Andrew, em 2020; e o afastamento do neto, o príncipe Harry, das funções oficiais do palácio e da família real após seu casamento com a atriz americana divorciada Meghan Markle.

Philip sempre foi a face mais humana do casal. Eram dele as gafes, as manifestações de emoções ou vontades que ela não se permitiu. Elizabeth II dançou conforme a música, como se esperava dela. Encontrou 12 dos últimos 13 presidentes dos Estados Unidos. Viajou o mundo. Foi até o Brasil em 1968, na única visita de uma soberana britânica à América Latina.

O mistério sobre o que terá se passado na cabeça dessa rainha durante tantos anos ocupou o imaginário coletivo britânico e mundo afora. Foi a deixa para tantas interpretações no cinema, no teatro e na televisão. O mundo dos Windsor fascina.

Elizabeth II viveu presa a um conto de fadas, o que pode ser bom ou ruim. O mais perto que o cidadão comum terá chegado da rainha foi a realização do documentário “Royal Family”, de 1968, que garantiu acesso sem precedentes às rotinas de trabalho e lazer da soberana. Ela e Philip tiveram quatro filhos (Charles, Anne, Andrew e Edward), oito netos e 12 bisnetos.

A rainha foi pop. As cores dos vestidos e chapéus estavam sempre nas páginas. A escolha das joias da rainha também tinha sempre mensagens a serem lidas pelos jornalistas especializados na cobertura da Casa Real. Quem nunca quis saber o que carregava nas bolsas de mão que usava para se comunicar com os auxiliares próximos em meio a agendas oficiais. Um gesto indicava a hora de encerrar uma audiência. Estava em Ascot, não muito longe de Windsor, todos os anos acompanhando de perto o desempenho de seus cavalos, uma das suas paixões da vida inteira, nas badaladas corridas de verão que reúnem a aristocracia britânica e ricaços do mundo inteiro.

Windsor, todos os anos acompanhando de perto o desempenho de seus cavalos, uma das suas paixões da vida inteira, nas badaladas corridas de verão que reúnem a aristocracia britânica e ricaços do mundo inteiro.

Leia também: Fascínio pela princesa Diana continua vivo 25 anos após sua morte trágica
Tornou-se tradução do soft power britânico. Está na bonequinha da loja de lembranças que dá adeus com a ajuda da luz solar, ou canecas de louça que marcam suas datas comemorativas. Afagou chefes de Estado ou de governo importantes para o reino. Como todo britânico, também tinha suas doses de senso de humor. Participou da inusitada cena de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em que recebe ninguém menos do que 007, na pele de Daniel Craig. James Bond foi buscar a monarca no Palácio de Buckingham, de onde simulam sair de helicóptero para pousar no estádio olímpico. A rainha está ainda em uma galeria de arte em Windsor. No holograma do quadro “Aprovação real”, de Nusia Mullingan, com a bandeira Union Jack de pano de fundo, usando uma tiara de diamantes e tradicional colar de pérolas de três voltas, ela pisca para o espectador. A obra sai pela bagatela de 1,295 libras (quase R$ 10 mil). O pagamento por ser parcelado em até 12 vezes. É a monarca acessível para os súditos.


Tornou-se tradução do soft power britânico. Está na bonequinha da loja de lembranças que dá adeus com a ajuda da luz solar, ou canecas de louça que marcam suas datas comemorativas. Afagou chefes de Estado ou de governo importantes para o reino. Como todo britânico, também tinha suas doses de senso de humor. Participou da inusitada cena de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em que recebe ninguém menos do que 007, na pele de Daniel Craig. James Bond foi buscar a monarca no Palácio de Buckingham, de onde simulam sair de helicóptero para pousar no estádio olímpico. A rainha está ainda em uma galeria de arte em Windsor. No holograma do quadro “Aprovação real”, de Nusia Mullingan, com a bandeira Union Jack de pano de fundo, usando uma tiara de diamantes e tradicional colar de pérolas de três voltas, ela pisca para o espectador. A obra sai pela bagatela de 1,295 libras (quase R$ 10 mil). O pagamento por ser parcelado em até 12 vezes. É a monarca acessível para os súditos.

 
Na escrivaninha de Winston Churchill, em Chartwell, a residência do primeiro primeiro-ministro de Elizabeth II (1940-1945 e 1951-1955) — foram 15, incluindo a recém-empossada Liz Truss — ainda está em lugar de destaque a foto da monarca no dia de seu casamento com Philip, dois anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Por sinal, o que se especula é que a soberana não tenha conseguido disfarçar o xodó por Churchill e Harold Wilson (1964-1970 e 1974-1976).

Sentada no landau de capota aberta com seu príncipe, a noiva sorria radiante enquanto acenava à multidão. A alegria não se justificava apenas pela ocasião em si. Mas pelo fato de ter descoberto contrabandeado debaixo do tapete do veículo sua corgi preferida, Susan, que acompanharia o casal real na lua de mel. A irreverência destes companheiros de quatro patas de uma vida inteira — outra marca registrada desta rainha — talvez seja a pequena manifestação pública de irreverência a que se permitiu a soberana sempre tão contida, que pôs nas últimas décadas o dever de servir o país acima de tudo.
ido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte e de Seus Demais Reinos e Territórios, Chefe da Comunidade das Nações, Defensora da Fé” era formalmente chefe de Estado de 14 países da chamada Comunidade das Nações do Canadá à Austrália e à Nova Zelândia, além de ilhas do pacifico e do Caribe. Ela testemunhou o fim do império onde o sol nunca se punha e o aparecimento do Reino Unido como o que é hoje, uma potência europeia dentre outras. Nesta transição, dedicou-se a preservar os vínculos com as antigas colônias por meio da Comunidade Britânica das Nações.

A morte da monarca é um evento de importância inequívoca para o Reino Unido, pois, além do luto, desencadeará grandes questões constitucionais, sobre a sucessão.

— Há uma sensação de terremoto — afirma Steven Barnett, professor da Escola de Comunicação e Mídia da Universidade de Westminster.

O Globo