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"Ele é promovido. Eu tive que pedir demissão", lamenta a ex-soldado Jéssica Paulo do Nascimento, de 29 anos, sobre a promoção e aposentadoria do coronel Cássio Novaes, denunciado por assédio sexual e ameaças de morte contra ela, quando ainda atuava na Polícia Militar. As denúncias continuam sendo investigadas pela Corregedoria da Polícia Militar.
A publicação da promoção de patente e da aposentadoria do coronel estão no Diário Oficial do Estado deste sábado (17). "O sentimento é de repulsa e impunidade. Decepção mesmo. Só fortalece essas pessoas que cometem abuso e assédio a continuarem, porque percebem que sempre saem na vantagem", comenta.
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Na Polícia Militar, é praxe que, ao se aposentar, o policial seja promovido ao posto superior. A publicação dos dois atos é sempre feita na mesma edição do Diário Oficial, assim como aconteceu no caso de Cássio Novaes.
Ela foi exonerada da Polícia Militar no fim de maio, quando decidiu deixar a corporação. Segundo Jéssica, a decisão foi tomada porque ela se sentia pressionada após a repercussão do caso. Entre os episódios que classifica como perseguição está o desarmamento dela; escalas de trabalho na rua à noite, mesmo denunciando ameaças de morte; negativa para pedidos de transferência e chantagem com as férias ao qual ela teria direito.
"Ele saiu com o status de coronel e eu saí demitida, forçada a pedir demissão. Sendo assediada e perseguida, saí na pior. Só tomei prejuízo", desabafa a ex-soldado.
Ela critica a saída do coronel à reserva da PM enquanto as investigações sobre as denúncias ainda estão em curso. "Foi tudo de forma estratégica. Ele não iria pedir a aposentadoria agora, falava pra todo mundo que iria sair só em 2023", conta. "Eu quero que seja feita a Justiça. Nem que puxe para o meu lado, nem para o lado dele. A justiça tem tudo o que ela precisa ter", comentou a ex-soldado.
Mesmo que não esteja mais na ativa, a apuração das denúncias continua, já que as trocas de mensagens denunciadas pela ex-soldado aconteceram enquanto os dois atuavam na corporação. "Não afeta a eficácia do processo e eu acredito na Justiça", complementa Jéssica.
Assédio sexual e ameaças de morte
As investidas pessoais do então tenente-coronel à soldado Jéssica começaram em 2018, segundo ela. Ele havia acabado de assumir o comando do Batalhão da Zona Sul de São Paulo, quando passou pelas companhias para se apresentar aos policiais militares e a conheceu, chamando-a para sair assim que conseguiu ficar a sós com ela.
Ela disse ao superior que era casada e tinha filhos, recusando o convite. "Depois desse dia, minha vida virou um inferno", desabafa. A ex-soldado relata episódios de investidas sexuais, principalmente, por mensagens, ameaças por áudio, humilhação em frente aos seus colegas e até mesmo sabotagem quando se recusou a ceder aos pedidos do superior.
Ela ficou dois anos e meio afastada do serviço para evitar contato com ele. No entanto, a licença acabou em março e ela precisou voltar ao serviço.
Novaes conseguiu o telefone dela e as investidas recomeçaram, segundo ela, cada vez mais insistentes. O comandante prometia sustentar os filhos da então soldado, dar uma promoção para ela dentro da corporação e a transferência que ela queria para o litoral paulista.
Ela disse ao superior que era casada e tinha filhos, recusando o convite. "Depois desse dia, minha vida virou um inferno", desabafa. A ex-soldado relata episódios de investidas sexuais, principalmente, por mensagens, ameaças por áudio, humilhação em frente aos seus colegas e até mesmo sabotagem quando se recusou a ceder aos pedidos do superior.
Ela ficou dois anos e meio afastada do serviço para evitar contato com ele. No entanto, a licença acabou em março e ela precisou voltar ao serviço.
Novaes conseguiu o telefone dela e as investidas recomeçaram, segundo ela, cada vez mais insistentes. O comandante prometia sustentar os filhos da então soldado, dar uma promoção para ela dentro da corporação e a transferência que ela queria para o litoral paulista.
Defesa
O advogado de defesa do coronel Cássio Novaes criticou a decisão de Jéssica de expor o caso publicamente. As declarações foram dadas ao G1 em junho, por telefone. Ele informou que o inquérito policial ainda não foi concluído pela Corregedoria da Polícia Militar e tramita em segredo de Justiça. "Se o próprio processo segue nessa maneira, não cabe a ninguém ficar divulgando ou julgando", disse.
Ainda conforme o advogado, Jéssica pediu a exoneração da corporação para "se blindar de eventuais reprimendas que estão previstas na Polícia Militar". Cássio Novaes foi afastado do comando do Batalhão da Zona Sul de São Paulo assim que as denúncias foram formalizadas, e transferido para outro, no interior paulista, onde não se apresentou.
Polícia Militar
O advogado de defesa da ex-soldado, Sidney Henrique, informou que solicitou medidas protetivas para ela e a família à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, que foram negadas. Além disso, ele também pleiteou um pedido de prisão preventiva do comandante e a suspensão do porte e posse de arma dele.
Procurada pelo G1 à época, a Polícia Militar disse, por nota, que recebeu a denúncia e imediatamente instaurou um inquérito policial militar para apurar rigorosamente os fatos. A investigação continua sendo conduzida pela Corregedoria da Polícia Militar. Segundo a corporação, todos os fatos são sigilosos, conforme prevê a legislação.
G1
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