Jornais afirmam que há uma lista de 50 mil
smartphones que podem ter sido alvos de um software de espionagem chamado
Pegasus. A lista foi descoberta por duas organizações sem fins lucrativos, a
Forbidden Stories e a Anistia Internacional.
Jornalistas, grupos de ativistas e políticos de oposição de 50 países podem ter tido seus smartphones invadidos por um programa de espionagem chamado Pegasus.
Programas de computador que têm como função invadir outros computadores são conhecidos como malware. O Pegasus foi criado por uma empresa de Israel, o NSO Group. A história foi revelada no domingo (18) por jornais do Reino Unido e dos Estados Unidos.
O Pegasus é uma ferramenta extremamente invasiva, que pode ligar a
câmera e o microfone do celular, bem como acessar dados do dispositivo,
convertendo-o em um espião de bolso.
Em alguns casos,
ele pode ser instalado sem a necessidade de enganar o usuário para que
ele faça um download, que é a maneira mais comum de invadir um
aparelho.
A empresa israelense vendeu o programa para governos de países.
Supostamente, eram os clientes dessa empresa que decidiam quais eram os
smartphones que seriam invadidos.
Já foram
identificados mais de mil pessoas, em 50 países, que
foram alvo do malware do NSO Group.
Entre eles, há 189 jornalistas, mais de 600 políticos ou dirigentes de
governo, ao menos 65 executivos de empresas, 85 ativistas de direitos humanos e
alguns líderes de Estado, segundo o "Washington Post".
Como surgiu a história?
A Forbidden Stories, uma organização sem fins lucrativos de Paris, e a
Anistia Internacional conseguiram uma lista de 50 mil números de telefones que
podem ter sido invadidos pelo malware israelense.
As duas entidades
procuraram um grupo de 16 jornais internacionais para formar um consórcio que
tenta descobrir quem são as vítimas da espionagem.
É esse consórcio
que conseguiu identificar os mil primeiros nomes e tenta chegar aos 50 mil da
lista.
Não foi revelado
como a Forbidden Stories teve acesso aos 50 mil números de smartphones que
foram invadidos.
O consórcio
acredita que os números da lista são alvos em potencial dos clientes do NSO.
Resposta da empresa
O NSO Group disse
que o relatório da Forbidden Stories elabora teorias sem comprovação e é cheio
de suposições erradas. A empresa nega que tenha mantido uma lista de alvos em
potencial.
A empresa afirma
que o Pegasus é vendido apenas para agências governamentais que são aprovadas e
que é usado apenas para perseguir terroristas e grandes criminosos. Além disso,
o NSO Group diz que não tem acesso aos dados de seus clientes.
A lista de clientes
não é revelada. O NSO Group afirma que vende sua tecnologia somente para
governos que são aprovados por Israel para identificar terroristas e acabar com
redes de pedofilia e tráfico de drogas ou pessoas.
A empresa também
afirma que o Pegasus ajudou a salvar milhares de vidas.
Fundado em 2010
pelos israelenses Shalev Hulio e Omri Lavie, o NSO tem sede no centro de alta
tecnologia israelense de Herzliya, perto de Tel Aviv, e emprega centenas de
pessoas em Israel e ao redor do mundo.
Jornalistas vítimas do malware
Entre os jornalistas que foram vítimas do programa israelense há pessoas
que trabalham para as agências Associated Press e Reuters, para os jornais
"The Wall Street Journal", "The Financial Times" e "Le
Monde" e para a rede CNN.
O "Washington
Post" identificou 37 números de smartphones de seus funcionários na lista.
O "Guardian" encontrou o número de 15 de seus jornalistas.
A agência
Associated Press identificou os números de dois repórteres.
A Anistia
Internacional afirmou que na lista também consta o número de telefone de Hatice
Cengiz, a noiva do jornalista Jamal Khashoggi, assassinado no consulado da
Arábia Saudita em Istambul em 2018 (o smartphone dela foi incluído no rol
quatro dias depois do assassinato).
Países mais afetados
Dos 50 mil
smartphones da lista da Forbidden Stories e da Anistia Internacional, 15 mil são do México. Além do México, há muitos números da
Arábia Saudita e de outros países do Oriente Médio.
Também há números
da França, Hungria, Índia, Azerbaijão, Cazaquistão e Paquistão, entre outros.
O "Washington
Post" informou que 15. mil números de telefone estavam no México e
afetavam políticos, líderes sindicais, jornalistas e críticos do governo.
Há o número de um
jornalista independente mexicano que foi assassinado semanas depois que seu smartphone
foi adicionado à lista. Seu telefone nunca foi encontrado e não está claro se
ele foi hackeado.
Os serviços de
segurança marroquinos utilizaram o software espião para invadir o celular de
quase 30 jornalistas e executivos de grupos de comunicação franceses, segundo a
investigação.
G1
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