A reunião extraordinária da Comissão de Finanças e Fiscalização e de Desenvolvimento Socioeconômico da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que ocorreu ontem, não analisou a proposta do Governo do Estado que pretende aumentar a alíquota modal do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação (ICMS). Os parlamentares acataram requerimento do deputado estadual Coronel Azevedo (PL) e encaminharam a matéria para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ devido à chegada somente ontem das informações acerca do impacto financeiro da proposta. Assim, a tendência é que o projeto siga direto para o plenário, amanhã.
A reunião conjunta das comissões foi convocada após aprovação de requerimento que estabeleceu regime de urgência para a tramitação da proposta. Após a negativa da dispensa da tramitação pelo colegiado de líderes, a deputada Isolda Dantas (PT) apresentou requerimento ao plenário pedindo a celeridade e conseguiu a aprovação. Porém, os deputados oposicionistas, que são maioria na CFF, conseguiram impedir a apreciação da matéria na reunião extraordinária conjunta.
O deputado Coronel Azevedo argumentou que, como há previsão de renúncia de receitas com a desoneração de cinco itens da cesta básica, é obrigatário o encaminhamento do detalhamento do impacto financeiro, o que só ocorreu no fim da manhã de ontem. Assim, os deputados, por maioria, entenderam que a matéria deveria tramitar novamente na CCJ. Votaram a favor do encaminhamento os deputados Coronel Azevedo, José Dias (PSDB), Getúlio Rêgo (PSDB), Gustavo Carvalho (PSDB) e o presidente da CFF, Tomba Farias (PSDB). Foram vencidos Francisco do PT, Isolda Dantas e Hermano Morais (PV).
Forma de garantir que o estado não tenha perdas maiores no próximo ano.
Explicando a necessidade de se cumprir os princípios da anualidade e da noventena, que determinam que a matéria precisa ser aprovada neste ano para valer no próximo e após 90 dias da sanção, o secretário disse que o Governo, através da bancada, deverá incluir um dispositivo que condicionaria a aplicação da nova alíquota ao não recebimento de valores suficientes por parte da União para a compensação dos valores frustrados com a arrecadação do ICMS. “Os valores que vamos receber ainda dependerão de regulamentação e esse dispositivo nos dará segurança”, disse o secretário.
Questionado sobre qual seria a expectativa de recebimento e qual o valor seria suficiente para fazer com que o estado abrisse mão do aumento da alíquota, o secretário disse que ainda não tinha a confirmação. Segundo ele, a compensação deverá ser menor do que as perdas, já que o projeto aprovado pelo Congresso não cobre todas as perdas decorrentes da desoneração do ICMS sobre combustíveis e energia. “Mesmo com a alíquota de 20% teremos perdas. O valor sugerido pelo Comsefaz foi de 22%”.
A inclusão desse dispositivo na proposta do Governo deverá ocorrer através de uma emenda bancada, assim como outra proposta de Isolda Dantas, que deverá limitar o aumento do imposto por um ano, fazendo com que a alíquota volte aos 18% em 2024, e incluir novos itens da cesta básica entre os que terão redução no valor do ICMS. As emendas não foram analisadas.
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